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Cirurgia única é realizada na unidade infantojuvenil do Hospital de Câncer




Uma cirurgia diferente e com uso de uma tecnologia pioneira foi realizada na unidade infantojuvenil do Hospital de Câncer de Barretos. A paciente, uma bebê de apenas dez dias de vida, havia sido diagnosticada com um tumor na região sacrococcígea (nádegas) que adentrava para o abdomen.

O câncer foi descoberto na última ultrassonografia pré-natal da mãe e foi indicado o parto cesárea, pois a criança já apresentava alterações. A menina foi encaminhada à instituição com apenas três dias de idade.

Segundo a cirurgiã oncológica pediátrica responsável pelo caso, Vilani Kremer, quando esse tipo de tumor é encontrado precocemente há chances de cura. Para garantir o sucesso do procedimento foi necessário o uso de uma lente de alta definição da Karl Storz, que é capaz de aumentar o campo de visão em até 20 vezes.

"O uso do VITOM é pioneiro em cirurgia oncológica pediátrica no país. Na Europa já há descrição de uso nessa especialidade em casos esporádicos. Com o uso da lente, podemos ter uma melhor precisão na ressecção dos tumores, principalmente, para os récem-nascidos e para as cirurgias onde há a necessidade de reconstrução de estruturas adjacentes ao tumor. Essa lente também é usada em cirurgias pediátricas de reconstrução de mal formação congênita", explicou a médica.

De acordo com Vilani, o instrumento auxilou a equipe médica a ter uma melhor visualização da região tumoral e das estruturas ao redor da lesão, já que se tratava de um bebê com pouco dias de vida, que além da ressecção do câncer, ainda precisou de reconstrução das estruturas anatômicas.

A cirurgia
Primeiro foi feito um planejamento adequado com as equipes. O procedimento durou cerca de oito horas e contou com 16 profissionais, sendo dois cirurgiões, dois anestesiologista, um radiologista, três enfermeiras, cinco técnicos de enfermagem e dois colaboradores de uma empresa que representa a Karl Storz no Brasil.

Para garantir o sucesso da ressecção do tumor e do cóccix ( osso de onde o tumor tem origem), ainda foi utilizado a ressonância magnética intra-operatória, sendo a cirurgia combinada com o exame de imagem, inéditos para este tipo de lesão.

A lente usada foi conseguida como um empréstimo da Strattner, companhia que representa a fabricante do equipamento, através de uma solicitação da equipe de cirurgia oncológica pediátrica do Hospital.

A médica explica ainda que o pós-operatório requer cuidados, mas a menina se recupera bem, sem complicações e deve receber alta em breve.