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Médico do Hospital de Câncer de Barretos recebe uma visita inusitada




Um encontro com Deus é o desejo de muitas pessoas. Seja para agradecer, para fazer uma prece ou pedir explicações sobre algo. Lançado este ano, o filme "A Cabana", mostra exatamente isso, o momento em que a personagem principal se encontra com essa força divina em forma de um ser humano comum. E foi mais ou menos isso que aconteceu com o médico residente em oncologia clínica do Hospital de Câncer de Barretos, João Carlos Resende.


Foi em uma tarde qualquer, durante uma semana dura de trabalho e com saudades de casa, já que a família do profissional é da Paraíba, que ele se deparou com a visita inesperada. Uma dona de casa, chamada Maria do Socorro, de 73 anos, da Zona Rural de Rio Verde (GO), cidade localizada a cerca de 500 quilômetros de Barretos. "Desde que entrei na medicina eu quis trabalhar com algo humanizado. Na Paraíba eu já fazia um trabalho de evangilização dos jovens e queria levar isso para a minha profissião", contou.


A dona Maria do Socorro chegou para a consulta a espera de uma boa notícia, mas infelizmente, a informação era de que deveria recomerçar o tratamento para o tumor digestivo. "Eu primeiro parei e conversei sobre Deus com ela e no final, pedi uma foto. Aquele dia ela me ensinou, ela me ajudou e deixou feliz", disse.


Resende escreveu um texto com a foto dele e com a paciente e publicou em uma rede social. Logo, os amigos pediram parta que o post fosse colocado em modo público. Horas depois, a publicação viralizou e foi assunto no Brasil inteiro. O texto escrito pelo profissional conta a história da visita que ele havia recebido de Deus.


Texto publicado na página do médico:

"Semana curta e cansativa, coração agitado, mente num turbilhão. Deus hoje resolveu me visitar. Ele tinha um corpo franzino, rosto marcado pelo sol, mãos com sutil aspereza de quem trabalhou pesado a vida toda e um cheiro de lavanda misturado com as cinzas de um fogão de lenha. Ele falava de um jeito bonito e simples, arrastado e vindo lá do Goiás. Vestia a melhor roupa que tinha, colorida, bem cuidada, mas respingada da sopa que serviram antes da consulta. O sapato de algodão listrado não combinava com a blusa florida... ah, mas Ele era Deus e podia tudo. Seus olhos fugiam dos meus. Como podia Deus se fazer pequeno assim? Logo lembrei que Ele sabe muito bem fazer isso. Lembrei que Ele foi homem, é pão e será sempre grande, pequeno Deus. Parecia envergonhado, ansioso pela notícia, infelizmente não tão boa. Estava cansado da viagem, da sala de espera lotada e de anos de luta contra o câncer. Diante da grandeza à minha frente, aumentei minha pequenez para que pudesse caber na menor brecha que ousei adentrar naquela vida. A doença mudou, progrediu e voltou a judiar. Aquele remédio que tanto cansava e nauseava aqueles poucos quilos tão frágeis se faria necessário mais uma vez.

- Mas, Dotô. Não diga isso.

Seu rosto se entristeceu e quanto me doeu ver Deus sendo gente ali diante de mim.

- D. Socorro, não fica triste. O doutor aqui tem coração mole e pode chorar.

Olhou para mim e pude ver o brilho dos olhos sábios dizendo: "Vou chorar em casa, para o senhor não olhar.

Como aquilo me engrandecia. Como pode Deus me visitar assim. Ali acabou meu cansaço. Ali só coube emoção. Examinei aquele corpo pequeno. Coração forte e barulhento, pulmões que sopraram em mim o sopro da vida e contemplei o mais belo sorriso com as cócegas geradas ao palpar seu abdome. Pensava comigo o quanto eu queria, com minha mão, retirar cada um daqueles tumores e ao mesmo tempo me emocionava porque, com aquela visita, Deus retirava cada um dos meus, não físicos. Minha prescrição seria o que menos importava ali, mas assim mesmo a fiz.

- D. Socorro, vou prescrever aquele remédio chatinho, mas para tentar controlar a doença da senhora.

Humilde, respondeu: - É o jeito.

No final de tudo, depois de eternos poucos minutos de graça, Deus olhou para mim e disse: - Dotô, o resto pode estar doente e não prestar, mas meu coração é grande e bom. - Ah, Deus! Que coração.

Já emocionado, apenas pedi um abraço e agradeci por tudo aquilo. Ganhei mais. Ganhei uma foto, um carinho no rosto e a certeza de que Deus sempre está comigo e sempre me visita de diversas formas. Hoje Ele me visitou, me curou e me deu força para continuar. Ironicamente, saiu daquela sala e falou: - Fica com Deus, Dotô.

- Estive com Ele, D. Socorro."